“Território é onde estão as paixões” – Natal realiza formação sobre território e saúde

Rogéria Araujo

Este módulo marca o início do terceiro e último ciclo do projeto na localidade e atraiu vários alunos e alunas novos que vão participar, ao longo de um ano, de várias atividades de formação, audiências públicas, palestras motivacionais – todas ações que buscam fortalecer e gerar conhecimento a estas populações para que elas qualifiquem suas demandas para melhorar a situação de seus bairros, sobretudo nos serviços de saúde pública.

Segundo dados do Anuário 2014, da Secretaria Municipal de Urbanismo de Natal, a Zona Norte de Natal contabilizava 338.441 habitantes em 2013. Com uma população cada vez mais crescente, surgem problemas que afetam diretamente os moradores da região. Segundo Nilton Minora, coordenador local do projeto, a questão da saúde, com unidades e postos médicos, ainda é precária para atender toda a região. Daí, a necessidade de implantar o projeto nesta região. “Só com a organização e mobilização vamos conseguindo mudanças”, disse.

Depois de uma breve apresentação do projeto, com exibição do vídeo “Direitos Sociais e Saúde”, o professor Roberval Lima fez uma dinâmica, envolvendo elementos cênicos com os participantes. Divididos em grupos de “pesquisadores” e o grupo “dos indivíduos de Albatroz”, que formavam uma tribo primitiva, o assessor foi levantando elementos que compõem o conceito de território. Assim, os próprios alunos foram apontando as características do território: onde se localiza, a linguagem usada, as deficiências, as preferências alimentares, a forma de organização, a relação de gêneros, as dificuldades de comunicação, as necessidades dos moradores de “Albatroz”.

“Eu já tinha ouvido falar em território, mas não de forma tão profunda como eu vi hoje. Achei que ficou mais claro o entendimento. Cuidar do território, reconhecer o território, é melhor para todos os que moram nele, não só para mim ou minha família”, afirmou Elizete Santos, cursista do projeto.

O professor Roberval Lima explicou que é necessário que o território precisa ser preservado e as pessoas precisam estar atentas às mudanças que ocorrem no território. “Temos que fazer desse território um lugar melhor, não só para os que vivem hoje, mas para os que vêm no futuro e em respeito aos que vieram antes de nós”, afirmou. Fazendo referência ao geógrafo Milton Santos, disse que “o território é onde estão as paixões”.

Saúde e Território

Na segunda parte da formação, a assessora Norma Minora, fez um trabalho dividindo os participantes em grupos, para que cada um deles apresentassem os problemas identificados em seus territórios. Reformas de postos de saúde paralisados, muitas filas nas unidades, demora na marcação de saúde, superlotação de leitos, falta de unidades para atender a população da Zona Norte, falta de médicos, foram algumas das dificuldades indicadas.

Como forma de fazer intervenção popular, os grupos colocaram a organização e mobilização dos moradores dos bairros para que os problemas fossem solucionados ou visibilizados, através de contatos com os conselheiros e conselheiras de saúde, ouvidoria das Unidades Básicas de Saúde e Audiência Pública, pois essa ação vem mostrando resultados positivos e diálogo junto aos órgãos responsáveis pela área de saúde. Também apontaram palestras e oficinas como as que oferecem o projeto como forma de obterem conhecimento e concretizarem suas demandas.

Para Elionai Varela, ficou claro que é muito importante conhecer o território para pode melhorar a qualidade de vida dos que formam determinado território. “O que achei muito importante é que as pessoas vão sair daqui com outra visão de seus bairros e espero que passem esse conhecimento para frente. Quanto mais pessoas estiverem envolvidas na conquista de melhorias, melhor para todo mundo”, falou a cursista.

Ao final do encontro, o padre João Maria, da Paróquia do Parque das Dunas, deu uma benção a todos os presentes e chamou atenção para o bem comum e para o direito à cidadania. “É preciso ter um olhar crítico. Não podemos ser indiferentes à fragilidade do outro. Hoje vocês estão sentados aqui partilhando conhecimento, refletindo temas que têm a ver com cidadania. Não podemos ficar de braços parados vendo as coisas acontecerem. Só com conhecimento e fé a gente pode lutar por nossos direitos”, disse o padre.

O projeto

O projeto Direitos Sociais e Saúde: Fortalecendo a Cidadania e a Incidência Política é cofinanciado pela União Europeia e tem apoio da Agência Católica de Cooperação Internacional da Inglaterra e Países de Gales (CAFOD). É executado pelo Programa Justiça Econômica, do qual fazem parte o Grito dos/as Excluídos/as Continental, Pastoral Social, Pastoral da Saúde, Comissão Brasileira de Justiça e Paz, contando com o apoio da rede Jubileu Sul Brasil.

O conteúdo desta notícia é de responsabilidade exclusiva do Programa Justiça Econômica não podendo, em caso algum, dizer que representa a opinião da União Europeia.

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