Lançamento de projeto no bairro Alvarenga, em São Bernardo do Campo, reforça saúde como direito da população

Equipe Comunicação Programa de Justiça Econômica

O bairro Alvarenga, em São Bernardo do Campo (SP), recebeu, no último dia 2 de outubro, o lançamento oficial do projeto “Direitos Sociais e Saúde: Fortalecendo a Cidadania e a Incidência Política”, cofinanciado pela União Europeia e com apoio da Agência Católica para a Cooperação Internacional de Inglaterra e país de Gales (CAFOD). O salão da Sociedade Amigos do Jardim Thelma reuniu lideranças comunitárias, agentes de saúde, autoridades locais, representantes municipais da área da saúde, das Pastorais Sociais, da Saúde e igreja. Em consonância total com o projeto, todos se manifestaram pelo direito à saúde da população, reforçando que a saúde não pode ser tratada como moeda de troca, mas como dever do Estado.

O projeto é implementado no Brasil por quatro entidades parceiras do Programa Justiça Econômica: Grito dos Excluídos Continental, as Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos de Brasil (CNBB), Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) e a Pastoral da Saúde Nacional.

Na abertura do evento, Luciane Udovic deu as boas-vindas, acolhendo os convidados e ressaltando a importância de um bairro como o Alvarenga, com uma população estimada em cerca de 300 mil habitantes, contar com um projeto como este, que tem o objetivo de formar agentes e lideranças em conhecimentos essenciais sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), do qual dependem grande parte da população brasileira. “A saúde é um direito do povo. Nós queremos, com este projeto, fortalecer esse entendimento na população para que ela possa se embasar sobre isso”, falou.

O lançamento no bairro do Alvarenga acontece em meio a uma situação delicada para a saúde. Por decisão do governo, o Ministério da Saúde será assumido por Marcelo Castro, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Movimentos, articulações e redes que atuam em defesa da saúde pública rechaçam a decisão, sob o argumento de que nos últimos anos em que o partido esteve à frente da pasta houve retrocesso.

O padre João Inácio Mildner, da Arquidiocese de São Paulo e membro do Conselho Estadual de Saúde do Estado de São Paulo, colocou muito bem a questão afirmando que é uma pena ver o Ministério da Saúde ter se tornado uma moeda de troca. “Sabemos o que está por trás disso, que o partido em questão tem projetos horríveis com o SUS. Também temos a informação de que as verbas para saúde estão seriamente comprometidas. Temos que ficar de olhos abertos. Saúde não é favor político, é dever do Estado. De mãos dadas construamos o SUS que todos merecemos”, chamou.

Moradora da comunidade Jardim Laura, Solange Pereira, falou que quando o assunto é direito a palavra motivadora é “união”. Sem união, disse, não se pode cobrar e garantir direitos que são básicos. “Temos que estar sempre em alerta com os nossos direitos. Precisamos de uma saúde melhor. Tem coisas boas acontecendo, mas ainda não está como a gente quer”. Mancha Gomes, coordenador local do projeto no Alvarenga, falou que sobre a força do projeto e os resultados que a comunidade terá. “Este projeto vai fazer com que a gente, o povo, possa cobrar de forma correta nossos direitos. Isto vai multiplicar nosso fortalecimento por um saúde de qualidade”, falou.

Com a apresentação de Luiz Bassegio, coordenador geral do projeto, o público pôde conhecer mais a prática do projeto, que terá duração de três anos. Ele falou sobre os módulos de formação que tratarão sobre funcionamento, financiamento e aspectos gerais do sistema público de saúde e das metas. Uma delas é formar 900 agentes no Alvarenga, no Grajaú (SP) e em Natal (RN), as três localidades brasileiras onde ocorre o projeto. “A classe rica do Brasil acha que os pobres têm muitos privilégios. Nós achamos o contrário. Se a gente não ficar vigilante vamos perder nossos direitos. Isso não vai acontecer. Este projeto quer que o povo fiscalize o SUS, que o povo se empodere daquilo que ele tem direito”, afirmou.

Formar e emancipar a população. Para Sebastião Venâncio, assessor político do projeto, este é um grande valor da iniciativa. “Se pode tirar muita coisa do povo. Mas conhecimento ninguém tira da gente. Conhecimento é poder”. A mesa também contou com a presença de Felipe Rodrigues, gerente de Unidade Básica de Saúde (UBS) que falou sobre os desafios e conquistas da área de saúde. Como representante do setor público da saúde, ele falou que é muito importante ter a oportunidade de dialogar sobre direito social. Vera Marina, gerente de gestão participativa da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), afirmou que a cidade de São Bernardo do Campo teve uma grande transformação em se tratando de saúde pública e que para se chegar a um serviço de saúde de qualidade é preciso trabalhar muito. “Vamos resguardar a maior política pública de saúde desse país [o SUS]. Saúde não é moeda de troca”, concluiu.

Por sua vez, o vereador do Partido dos Trabalhadores (PT), José Ferreira, também líder do prefeito em São Bernardo do Campo, fez uma saudação e reforçou todo o apoio para se somar em mais esta luta. “Só mudamos de trincheiras, a luta continua a mesma”, disse.

Para mais informações sobre o projeto: www.direitosociais.org.br

Deja una respuesta

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

Puedes usar estas etiquetas y atributos HTML:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>