Curso aprofunda temas sobre financiamento, ameaças ao SUS e lideranças comunitárias

Equipe Comunicação Programa de Justiça Econômica

Curso aprofunda temas sobre financiamento, ameaças ao SUS e lideranças comunitárias

Justiça, direito, solidariedade, coragem, amor, saúde, unidade. Estas foram algumas das palavras que saíram da mística de abertura do primeiro Curso Aprofundado que reuniu, na Chácara dos Maristas, em São Bernardo do Campo (SP), participantes do projeto Direitos Sociais e Saúde: Fortalecendo a Cidadania e a Incidência Política, ocorrido nos últimos dias 15, 16 e 17 de abril. Juntos, cursistas do Alvarenga e do Cantinho do Céu (Grajaú), participaram dos estudos sobre Financiamento, Ameaças ao SUS e a importância das lideranças comunitárias.

Num momento de acolhida, todos os/as cursistas foram convidados a participar da mística de abertura, feita pelo coordenador do projeto, Luiz Bassegio. Cada participante, então, escreveu uma palavra sobre o que esperava do encontro. O padre Osvair Cavalheiro, da paróquia São Carlos Borromeu também saudou o grupo e falou sobre o valor do conhecimento adquirido para o bem do povo.

Um dos assessores do encontro foi o professor Thiago Thobias. Ele fez uma dinâmica onde o Sistema Único de Saúde foi colocado como réu em um julgamento simulado, com a participação de todos. Num exercício coletivo, onde várias acusações foram feitas, a “defesa” alegou a importância do sistema público de saúde para os mais excluídos, ressaltando os 124 milhões de atendimentos que o SUS realiza por segundo. A lição aprendida foi a de que, mesmo com as falhas, falta de estrutura e recursos, o SUS é importante para a população e que por isso é preciso defendê-lo. O “juri” absolveu, assim, o SUS.

“É interessante porque dessa forma podemos aprender até como funciona um tribunal. E também aprender a defender o SUS quando ele for atacado de forma errada ou com informações que não são verdadeiras”, afirmou Mônica Souza, cursista do Cantinho do Céu. Thiago Thobias apresentou, ainda, pequenos vídeos que mostraram o funcionamento do Sistema Único de Saúde. O importante, salientou o professor, é estar em grupo para justamente fortalecer a cidadania e a incidência política em defesa do SUS.

Thobias também elencou que é útil saber organizar a comunidade para que o controle social seja feito com qualidade e eficiência. Nesse contexto, é preciso identificar quais são as ferramentas de controle que podemos utilizar como os portais de transparências. Citou o http://www.transparencia.sp.gov.br/. Os outros recursos usados por ele foram os vídeos da Série SUS (https://www.youtube.com/watch?v=wV_SPOJfqgk ) e o vídeo “Vida Maria” (https://www.youtube.com/watch?v=zD_kmO8u1Xg)

Na parte da tarde, o professor Alexandre Bento, do setor de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT) falou sobre outro tema de grande relevância: o papel das lideranças sociais. Com o texto “Construindo referências populares de lideranças nos dias atuais”, Bento aprofundou mais o tema, chamando a atenção dos participantes sobre o que é ser uma liderança e qual a responsabilidade que recai sobre essa representatividade.

Divididos em grupos, os/as participantes leram e discutiram o texto de Bento para, ao fim, expor suas opiniões. Para Tayná Gonçalves, do Alvarenga, uma boa liderança tem que passar confiança para o grupo e se manter na honestidade. “Precisa que a pessoa tenha humildade para lidar com as situações e muita determinação, além de bons exemplos de valores morais”, falou.

Bento completou que o papel da liderança precisa estar compromissado com os/as excluídos/as. Falou sobre a questão da desigualdade social que explicitamente afeta mais às mulheres, jovens e negros e que, portanto, tem seu viés classista, machista e racista. Elementos como estes precisam ser levados em consideração. Ao final, o professor presenteou o grupo com dois anéis de tucum, que representam o compromisso com o oprimido.

O professor José Gimenes falou sobre as 20 ameaças que atingem o SUS, como a terceirização, ajustes fiscais, e a falta de entendimento sobre o que é realmente o Sistema Único de Saúde. “Temos que conhecer bem o nosso sistema de saúde para, assim, saber como agir em defesa dele. O SUS, por sua natureza, é público e precisamos saber como defendê-lo”, disse. Muitos cursistas deram alguns exemplos que já haviam vivenciado e foram orientados a procurar a Ouvidoria da unidade médica em questão.

“Enquanto o próprio usuário não conhecer seus direitos, não conhecer o SUS, ele não vai defender. Se não tem medicamento vamos reclamar no local correto, da forma correta. É esta a nossa grande missão e desafio também”, falou.

Encaminhamentos

Como resultados de todos os exercícios feitos, os grupos definiram três ações para serem realizadas no segundo semestre de 2016. Estas ações foram colocadas como forma de pôr em prática o conteúdo adquirido durante o Curso Aprofundado. As ações são: Tribunal Popular em defesa do SUS, o Mutirão da Ouvidoria e Força Tarefa de Visitas às Famílias.

Os coordenadores locais Seiti Takahama (Cantinho do Céu) e Mancha Gomes (Alvarenga), além do assessor político, Sebastião Venâncio, vão acompanhar as ações.

O projeto

O projeto Direitos Sociais e Saúde: Fortalecendo a Cidadania e a Incidência Política é realizado no Brasil em São Bernardo do Campo e Grajaú (SP) e em Natal (RN). É executado pelo Programa Justiça Econômica, do qual fazem parte o Grito dos/Excluídos/as Continental, as Pastorais Sociais, a Pastoral da Saúde, a Comissão Brasileira da Justiça e da Paz e a rede Jubileu Sul Brasil. O projeto é cofinanciado pela União Europeia, com apoio da Agência Católica para Cooperação Internacional da Inglaterra e País de Gales (Cafod).

Deja una respuesta

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

Puedes usar estas etiquetas y atributos HTML:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>