Direitos Sociais

http://direitosociais.org.br

Parceiros

CAFOD JubileoSul
Pastorais Sociais Grito de los Ecxluídos/as Commisao Barileira Pastoral Saudade

Com apoio da

UE

Rodas de conversa, debates, seminário e Placar BenefiSUS marcam participação do projeto Direitos Sociais e Saúde no Fórum Social Mundial

De 13 a 17 de março, realizou-se em Salvador, Bahia, o Fórum Social Mundial que reuniu, de acordo com a organização do evento, representantes de 120 países. Foi sob o lema do Fórum, “Resistir e Transformar”, que o projeto Direitos Sociais e Saúde: Fortalecendo a Cidadania e a Incidência Política instalou a Tenda Direitos Sociais e Saúde, onde foram realizadas diversas atividades com foco na defesa da Seguridade Social – a Saúde, Assistência e Previdência Social.

Assim, com a presença da gerente de projetos da Delegação da União Europeia no Brasil, Denise Verdade, o projeto inaugurou o Placar BenefiSUS que, ao longo do Fórum, contabilizou quantos procedimentos médicos o Sistema Único de Saúde realizou por segundo. O chefe da Delegação da União Europeia, Thierry Dudermel, também compareceu à tenda para prestigiar a iniciativa. Ao final do Fórum, o Placar BenefiSUS indicou que foram realizados 17.592.421 procedimentos.

De acordo com Luiz Bassegio, coordenador nacional do projeto, esses números mostram porque o SUS é importante para o povo brasileiro. “Por isso, este projeto sai em defesa das populações mais vulneráveis. Sabemos da importância do SUS e, sobretudo, da Seguridade Social, que enfrenta ameaças. Nossas atividades foram neste sentido de debater e fortalecer esses direitos”, afirmou.

O SUS que se pensa e o SUS que se vive

O ciclo das Rodas de Conversa teve início com Stephan Sperling, da Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares e Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), com o tema “O SUS pensado e o SUS vivido”. A atividade procurou discutir estratégias para que o sistema público melhore. Segundo Sperling, a participação popular é de extrema importância neste momento, para que não se retirem direitos tão básicos, como é o caso da saúde.

Todos somos migrantes. Todos temos direitos.

Já no dia 14, o tema da Roda de Conversa tratou sobre o direito das pessoas migrantes à saúde. Facilitada por Bruno Lopes, do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), a conversa girou em torno da aplicabilidade de leis que garantam cidadania plena para os que chegam ao país. “Os imigrantes já encontram tantas dificuldades. O acesso à saúde é uma delas. Por isso, lutamos por uma legislação justa, pois todos e todas temos direitos”, afirmou.

Luta sanitarista

Os rumos do Movimento Sanitarista foram bem discutidos no dia 14 de março, na Tenda Direitos Sociais e Saúde. A Roda de Conversa “Zefa da Guia: Construindo uma agenda de luta do Movimento da Reforma Sanitária Brasileira” reuniu diversas entidades, organizações e militantes.

Seminário

O seminário “Direitos Sociais: Saúde, Assistência e Previdência Social: essenciais ao povo brasileiro!” reuniu, no dia 16, representações de entidades, organizações, redes e militantes. A atividade iniciou-se com um minuto de silêncio em homenagem a Marielle Franco, vereadora da cidade do Rio de Janeiro, assassinada na noite do dia 14, causando comoção em todo o país.

Em seguida, a mesa tratou sobre os desafios que o tripé da proteção atual enfrenta neste cenário de desmonte, mas também apontou caminhos para manter a Seguridade Social, tal com está previsto na Constituição Federal. A mesa contou com a presença do chefe da Delegação da União Europeia no Brasil, Thierry Dudermel, que, simbolicamente, encerrou o ciclo de três anos de apoio da União Europeia ao projeto, destacando que a ação do projeto superou as expectativas no que se refere à formação de agentes e ao controle social; Luiz Bassegio, coordenador geral do projeto Direitos Sociais e Saúde; Paulo Araújo (Cebes); Marcia Lopes, assistente social e ex-ministra de Desenvolvimento de Combate à Fome; economista Guilherme Delgado; Hugo Fanton, do Movimento Unificado de Saúde de São Paulo; Dom Roberto Paz; e Ronald Ferreira, do Conselho Nacional de Saúde.

O Seminário marcou também o lançamento da revista “Participación en la Agenda 2030 desde el prisma de la Laudato Sí”. A publicação, de autoria da Agência Católica para o Desenvolvimento da Inglaterra e País de Gales (Cafod), traz temas e enfoques para a Agenda 2030, tendo como base a encíclica feita pelo Papa Francisco. O lançamento foi feito pelo padre Ari Antônio Reis.

SUAS: Nenhum direito a menos!

O Sistema Único de Assistência Social, o SUAS, também foi ponto forte no ciclo de Rodas de Conversa do dia 16. A assistente social, Natalina Ribeiro e Marcia Lopes, ex-ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome e também assistente social, expuseram como o SUAS é importante e fortalece o tripé da seguridade social.

Negros/as e o SUS

“Negros adoecem mais, têm mais depressão. Será que não tem a ver com a escravidão?”. Este foi um dos questionamentos feitos por Francisca Bueno, da Associação Cultural das Mulheres Negras (ACUMN), durante a Roda de Conversa “População Negra e o SUS”. Como conselheira de saúde, ela também falou dos desafios que ainda enfrentam negros e negras para serem atendidos/as na saúde pública. Por outro lado, afirmou que a informação e formação têm sido os melhores caminhos para garantir esse direito, acrescentando que essa questão perpassa por um viés histórico e institucionalizado que é o racismo.

Militarização e Saúde no Haiti

Mesmo reconhecendo a responsabilidade de ter levado o cólera para o Haiti, até hoje não houve qualquer iniciativa de reparação por parte da Organização das Nações Unidas. Com a chegada do cólera, milhares de pessoas morreram e outras 800 mil foram infectadas. A informação foi dada por Camille Chalmers, do Papda e Jubileu Sul Américas/Haiti durante a Roda de Conversa “Militarização no Haiti e Rio de Janeiro e a saúde pública”.

Somos cidadãos. Não somos clientes

Na Roda de Conversa sobre as contrarreformas na América Latina, Gerardo Cerdas, da coordenação do Grito dos/as Excluídos/as Continental, falou sobre as consequências dessas políticas, que aumentam a desigualdade na América Latina, enfraquecendo o regime público, onde o cidadão torna-se um cliente e não um sujeito de direito. De acordo com ele, essas contrarreformas geram mais privilegiados e aumentam as desigualdades para os povos mais pobres da região latino-americana.

O projeto

O projeto Direitos Sociais e Saúde: Fortalecendo a Cidadania e a Incidência Política é cofinanciado pela União Europeia e tem apoio da Agência Católica de Desenvolvimento da Inglaterra e País de Gales (Cafod). É executado pelo Programa Justiça Econômica, do qual fazem parte o Grito dos/as Excluídos/as Continental, Pastoral Social, Pastoral da Saúde, Comissão Brasileira de Justiça e Paz, contando com o apoio da rede Jubileu Sul Brasil. O principal propósito deste projeto é, através de formação e incidência política, garantir melhor acesso e informação sobre o sistema de saúde pública do Brasil para populações vulneráveis.

Para saber mais: www.direitosociais.org.br | Facebook: Programa Justiça Econômica
Emails: coord.direitosesaude@gmail.com | comunica.direitosesaude@gmail.com

O conteúdo deste material é de responsabilidade exclusiva do Programa Justiça Econômica, não podendo, em caso algum, dizer que representa a opinião da União Europeia.

Última modificação: 2 de Abril de 2018 às 17:34
Tem 0 comentários
captcha
Quero ser notificado por e-mail quando há novos comentários.