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Em Brasília, movimentos sociais e deputados reforçam apoio contra proposta reforma da previdência social

Unidade. Esse parece ser o chamado para a atual conjuntura no Brasil em pleno golpe. E é por aí que Dom Guilherme Werlang, bispo de Ipameri (GO) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), inicia sua saudação durante o evento Café com Deputados, com o tema “Queremos uma reforma de previdência social e inclusiva, que aconteceu no dia 16 de março no Centro Cultural de Brasília (CCB).

Não à toa, Dom Guilherme se inspirou no Papa Francisco ao se referir ao evento como “Mesa Comum”. Ao lado do senador Paulo Paim (PT-RS), do economista Guilherme Delgado, do secretário executivo do Grito dos/as Excluídos/as Continental e do Frei Olavio Dotto, o bispo de Ipameri falava sobre a importância da união para um público diverso formado por movimentos sociais, pastorais sociais, militantes, defensores de direitos humanos e, como sugere o tema do evento, para deputados/as como Carlos Zarattini, Érika Kokay, Nilto Tatto, Paulo Teixeira, entre outros que compareceram ao Café da Manhã.

Para Dom Guilherme, o momento é de união e não de divisões, pois as forças que estão destruindo direitos básicos têm interesse na fragmentação dos movimentos sociais, na divisão do povo. “Nós das Pastorais Sociais da CNBB, junto com os que estão na organização deste evento, estamos felizes de fazer esse debate. É assim que vamos construir uma sociedade totalmente. É na totalidade que queremos chegar. Quando não tivermos nenhum pobre, aí sim estaremos vivendo num país que é de direito de todos”.

Falou ainda sobre o poder do povo, sem o qual não haverá mudanças. E sobre o papel das autoridades em todas as esferas. “É importante que os líderes da área política ou do judiciário sempre vejam que a autoridade maior é o povo. E quem está em governo tenha noção de que é um servidor do povo”, falou o bispo.

O senador Paulo Paim deixou uma mensagem explícita: esta reforma é impossível de ser implementada porque vai contra toda a vida dos trabalhadores brasileiros. “É impossível alguém completar o ciclo de 49 anos de contribuição. Esta reforma é impossível e precisa ser barrada. Trata-se de uma reforma equivocada, excludente, que está dentro de um pacote de maldades”, disse.

A reforma, afirmou, é limitadora sobretudo na questão da idade. Numa linha de produção de uma fábrica, por exemplo, ninguém vai querer permanecer com um funcionário com 60 anos de idade. Por outro lado, completou, tampouco se contrata jovens de 16 ou 17 anos com carteira de trabalha assinada.

Como parlamentar, Paim tem feito um forte trabalho de oposição contra a reforma proposta pelo governo Temer, realizando audiências públicas e reforçando a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social. Ele acrescentou que é muito importante ter espaços abertos para tratar do assunto e que não pode haver distância entre os representantes do povo e as pessoas que o elegeram. “Estamos do lado do povo. Portanto, vida longa ao povo brasileiro e abaixo os golpistas que estão saqueando o povo brasileiro”.

Na sequência, o economista Guilherme Delgado, explicou mais a fundo o que significa na prática a proposta de reforma da previdência. Ele afirmou que é preciso conhecer as estratégias que estão ligadas a esta reforma, pois ela tende a beneficiar cada vez mais o privado, daí a importância de levar a informação para todas as pessoas que ainda não sabem o que está acontecendo.

A reforma, segundo explicou, incentiva compulsoriamente a classe média, sobretudo, a ligada ao serviço público a aderir à previdência privada. E adiantou: “Lembramos que a previdência privada é um fundo financeiro e não oferece nenhum tipo de benefício, como é o caso da previdência social. Ou seja, se houver uma crise seja por qual for o motivo, não há garantia de direitos”.

Por outro lado, continuou, trata-se de uma forma de “expelir os pobres”, pois são os que mais usam deste direito. Em 2013, mais de 60% da população economicamente ativa recebeu os benefícios, ou seja, estava inserida dentro desse benefício da Seguridade Social.

Por sua parte, o deputado Carlo Zarattini, chamou o povo a cobrar de seus representantes no Congresso para que se manifestem e votem contra a proposta da reforma da previdência. De acordo com ele, as bases também têm papel fundamental nesse processo, pois cada voto contra a proposta é valioso.

“Precisamos da nossa base para que haja pressão sobre os deputados que estão em favor desta reforma. Então é importante que as cidades realizem audiências públicas, que os movimentos façam manifestações, façam moções e encaminhe para a Câmara. É importante que momentos como estes se espalhem pelo país”, afirmou o deputado.

*A reforma da previdência e as mulheres *
Conforme a reforma as mulheres terão seu tempo de contribuição elevado para cinco anos. O assunto já é polêmico e unificou os movimentos de mulheres tanto do campo como da cidade. Maria Lucia Fattorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida, é incisiva e afirma que a reforma não leva em consideração dificuldades enfrentadas historicamente pelas mulheres como a dupla jornada, a diferença salarial de gênero, desigualdade no mercado de trabalho, etc. “Assim como o capitalismo, esta reforma é totalmente machista. Não estamos nos fazendo de vítimas, mas esta é uma realidade que enfrentamos, sobretudo no campo”, afirmou Fattorelli.

Para Maria Casé, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), não há dúvidas de que esta reforma que destruir com a vida agrícola, onde a presença de mulheres é massiva. “Estamos sendo roubadas de nosso merecido direito de descanso, de aposentadoria digna, sobre tudo na zona rural. Muitas não sabem desse problema. Mas estamos atentas. É preciso ter consciência que nós, agriculturas, produzimos alimentos, produzimos a vida”, falou.

Também estiveram na atividade representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Mulheres Camponesas, Pastorais Sociais, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Contag, Dieese, entre outros.

Luiz Bassegio, coordenador geral do projeto Direitos Sociais e Saúde: Fortalecendo a Cidadania e a Incidência Política, afirmou que este foi um momento marcante para o projeto, pois mostrou que é possível que se forme uma unidade em torno de uma causa comum. “Estamos aqui com um só foco, numa só força contra esta proposta totalmente excludente. É nosso dever pautar cada vez mais este tema junto às nossas bases”, disse.

O Café da Manhã com Deputados “Queremos uma reforma da previdência social e inclusiva” foi realizada pelo projeto Direitos Sociais e Saúde: Fortalecendo a Cidadania e a Incidência Política, executado pelo Programa Justiça Econômica, do qual fazem parte o Grito dos Excluídos Continental, as Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Pastoral da Saúde, rede Jubileu Sul Brasil e Comissão Brasileira Justiça e Paz.

Para mais informações:
coord.direitosesaude@gmail.com
Whatsapp: (85) 99619.2566 (Rogéria Araújo)
Facebook: Programa Justiça Econômica

“O conteúdo deste documento é da responsabilidade exclusiva do Programa Justiça Econômica, não podendo, em caso algum, considerar-se que reflete a posição da União Europeia”

Última modificação: 17 de Março de 2017 às 17:02
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